

É de se estranhar, para quem conhece a Doutrina Espírita desde o berço, que suicidas se recuperem e se comuniquem com o mundo dos vivos em tão pouco tempo depois do desencarne.
Até onde eu sei, pelo menos, é que a recuperação de suicidas no plano espiritual é das mais demoradas, sofridas e lentas.
André Luiz, mentor espiritual de ninguém menos que Chico Xavier, levou meio século para "sacar" que estava "morto" e mandar um "oizinho" do além-túmulo. Ele conta isso em Nosso Lar.
Todo esse tempo de "recuperação", segundo ele, deveu-se ao fato de ter-se suicidado, apesar de não ter atentado diretamente contra a própria vida.
É que no mundo espiritual, quem bebe, fuma, se droga, etecetera e tal, consciente de que tais hábitos encurtam a vida terrena, é considerado tão suicida quanto quem enfia uma bala no ouvido, se joga do vão central da ponte Rio-Niteroi ou se atira na linha do trem.
É por isso que sempre olhei com desconfiança para supostas psicografias enviadas por suicidas recém-saídos do mundo terreno. Com mais desconfiança ainda quando elas servem de "notícia" em certas publicações jornalísticas.
Recentemente, porém, a última notícia alardeada nos jornais, vinda diretamente do além-túmulo, foi mais do que uma desconfiança: foi uma piada!
O suposto autor da mensagem, apesar de não ter se matado e de não cultivar hábitos suicidas, era um materialista convicto e certamente concordaria com Chico Anysio quando disse, em entrevista a ISTOÉ: "Não há outra vida. Morreu, acabou".
Acreditar que o jornalista Ferreira Júnior mudou de ideia depois de conhecer o mundo espiritual até nem é o mais difícil. Duro mesmo é acreditar que um textinho vagabundinho, como o que foi publicado, tenha saído de uma mente tão brilhante quanto a do Ferreirinha, um verdadeiro Google ambulante. Tem dó!
Comentar o fato e divulgar a fraude grosseira, como disse a minha querida "cumadi" Lu Brites, é um compromisso que temos com o Ferreira, sua mulher Cláudia, sua filhinha Laura e com verdadeiro Espiritismo. E, principalmente, com médiuns sérios e respeitados em todo o mundo, a exemplo de Francisco Cândido Xavier, que dedicou sua vida ao Espiritismo e a dar esperanças aos aflitos, trazendo notícias e consolo aos encarnados, provando com suas psicografias autênticas a existência da VIDA APÓS A VIDA.
Fala sério! :P
A VERDADEIRA CARTA DO JORNALISTA FERREIRA JÚNIOR
O texto que precede a carta, publicada no jornal Opção desta semana, foi escrito pela mulher do Ferreira Júnior, Cláudia, e mãe da filha dele, Laura, ou seja, alguém que conheceu MUITO bem o nosso saudoso amigo e que, mais do que eu ou você, fica indignada quando o Diário da Manhã publica aquelas ridículas cartas da Editoria do Além Túmulo. Lu Brites
Os que conheceram o jornalista Ferreira Júnior, que trabalhou no jornal “Diário da Manhã”, foram surpreendidos pela edição do dia 7 de dezembro deste ano, que trouxe, além de chamada com foto na primeira página, o conteúdo de página inteira com o que seria uma mensagem dele, Ferreira. Li e não reconheci meu marido. O texto creditado ao Júnior apresentava incongruências que passo a destacar:
1º — a saudação usada “seu Batista” não era como se referia a esta pessoa;
2º — no geral, o discurso é evasivo e pobre, não havendo nenhuma assertiva que possa identificá-lo com seu pretenso autor;
3º — os trechos “pude visitar minha família” e “continuar exercendo a função de pai é uma grande alegria” confirmam a habilidade da “médium” no uso de platitudes incontestes com o fim de emocionar os incautos;
4º — “admiração que lhe dedico” e “nossa grande família” faz lembrar o tempo em que os pretos eram recém-libertos mas ainda mantinham o corpo e a mente submissos, agradecidos ao patrão pela mais valia (somente isto seria suficiente para qualquer amigo do Ferreira rir às gargalhadas);
5º — por fim, “do amigo fiel e agradecido” são também expressões incabíveis enquanto os salários atrasados e depósitos do FGTS, no valor aproximado de 80 mil reais, não forem prestados à viúva e à órfã de 5 anos de idade.
A utilização da imagem e do “pensamento” do jornalista Ferreira Júnior, sem o conhecimento ou anuência de sua família, não se justifica mesmo que “por uma motivação pedagógica” como foi dito por Batista Custódio. Diz ele que pretende revelar a Verdade aos ateus “materialistas como o Ferreira”, atribuindo a si grande importância. Completa ainda que “negá-la é uma burrice da qual, mais dia, menos dia, nos arrependeremos”. Neste ponto, bem como em todo exposto, faltou o devido respeito aos mortos.
Quando era vivo e podia falar por si certamente o Ferreira não ouviu o que hoje pronuncia sem contestação quem pretende falar por ele. Ferreira Júnior polemizava com lealdade, ouvindo com paciência e sabendo silenciar quando o interlocutor estivesse tomado pelo fanatismo próprio de quem abraça uma idéia redentora.
Na busca por indulgência, quem perde uma pessoa querida de maneira trágica como o suicídio procura aliviar sua culpa entregando-se a uma mística conveniente onde quem partiu fala apenas o que se quer ouvir. De minha parte, prefiro ficar com as palavras ditas e escritas enquanto era vivo e, para os que sentem saudades de seu estilo inimitável, transcrevo a verdadeira carta do jornalista Ferreira Júnior.
A mensagem é um e-mail para um amigo escrito na hora do almoço, lá em casa, sem nenhuma pretensão. Ele pediu-me para corrigir, pois sua rapidez de raciocínio acarretava muitos erros ortográficos, e eu guardei com sua permissão. Durante a leitura é possível identificá-lo, até mesmo “ouvi-lo”, e isso fará os que o conheceram, Deus sabe, felizes.
(Texto que Ferreira Júnior enviou para um amigo)
Muito bom o texto sobre Charles Darwin, amigo. O detalhe interessante é que a “descoberta” da evolução não foi algo instantâneo. Há quem diga que na época de Da Vinci a possibilidade de uma criação sem a intervenção do divino já existia, (intelectualmente) mas estava discutida em círculos muito secretos pelo risco associado. Afinal, por muito menos Giordano Bruno foi pro churrasco e Galileu, por ser de um grupo menos radical, foi “apenas” condenado a prisão domiciliar. O mais interessante é que parece que Alfred Russel Wallace, que desenvolveu simultaneamente as idéias sobre evolução (não foi o único, o francês Lamarck — se prefere o nome todo, Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de Lamarck) também desenvolveu uma teoria sobre evolução, com alguns conceitos tidos hoje como errôneos, ainda que tenha sido o criador do termo que entrou pra história: biologia (é, foi ele!). O Wallace acabou incorporando todos os conceitos darwinistas e ficou conhecido como o bulldog de Darwin pela fidelidade quase canina como assimilou as ideias. Foi um brilhante orador, bem ao contrário de Darwin que era tímido e introvertido. Documentos mais recentemente analisados mostram que uma das razões era que, assim como Darwin, Wallace tinha medo da própria ideia evolucionista e de suas consequências. Ele se sentiria mais à vontade defendendo a ideia de outra pessoa, ainda que fosse idêntica à sua. A onda de notícias sobre evolução é o resultado de gente como Richard Dawkins (tido como o mais moderno representante do neodarwinismo e um dos pilares da sociobiologia) que tenta explicar uma parte do comportamento humano com base na ação dos genes. Já fui cético com relação ao tema, mas hoje, a cada dia, me considero um discípulo cada vez mais crente. Cláudia debocha e chama a minha visão ideológico-científica de “religião” (provocadora...). Mas, e o nosso velho dinossauro preferido, o Tiranossauros Batistienses Rex? Você viu na edição de hoje a foto do corpo da criança atacada pelos cães? Houve, como seria de se esperar, uma chuva brutal de e-mails e telefonemas. Ele decidiu isto de sábado para domingo e parece que perguntou somente a pessoas que poderiam apoiá-lo. Eu vi as fotos no dia em que foram tiradas. Como já acompanhei operações, exumações, autópsias e tenho uma visão fortemente reducionista dos humanos (somos, isto sim, o grande jogo de armar que com alguns itens nos locais certos passamos a partilhar sentimentos que evolutivamente ajudaram a nossa sobrevivência enquanto espécie, mas somos capazes de todas as crueldades inimagináveis) estou cada vez mais “dawkniano”. Claro, fiquei chocado, e não estenderia as imagens aos outros, até porque impera aí uma questão de bom gosto. Os leitores acharam o mesmo e Batistienses Rex, cuidadosa criatura, tratou de publicar as menos virulentas. Leia o artigo sobre a criança e veja que primor: Não existem culpados no mundo. Claro, mesmo sendo uma criança ele, o menino, entrou em uma propriedade particular, com muros altos. Os cães estavam famintos (é algo a se pensar, o fato do dono maltratar os cães, mas o pessoal na Idade Média costumava aumentar a diversão durante os cercos militares atirando prisioneiros a cães que estavam sem comer havia semanas) e os pais deveriam vigiar seus filhos. Para não falar na falta de escolas de tempo integral, etc... Bom, sinceridade? Acho que em um ataque de saudosismo dos tempos jurássicos do jornalismo goiano, Rex achou que provocaria comoção com as fotos. Realmente provocou, não necessariamente a que pensava, mas ele não percebe. Afinal, criaturas jurássicas têm problemas de percepção em relação aos mamíferos. Enquanto os últimos sentem na carniça uma ameaça (se um animal morreu, outro pode morrer) os répteis (Rex) veem nisto um banquete. Ainda mais que o pessoal do MIT mostrou, com elaborados cálculos de biomecânica, que o bicho não poderia correr mais do que 30 km/h sem perder a estabilidade, o que transformou o caçador em “scavenger” (carniceiro). Rex vai ser processado, pois os pais ainda detêm o direito a imagem da criança, mesmo post-mortem. Deve ser triste não perceber que o seu ambiente mudou e não é mais o que era, mas parece que deus em sua infinita bondade, indulgência e senso de humor protege o velho réptil alterando a sua percepção do ambiente. Aleluia! (Joaquim Dias Ferreira Júnior)
CLÁUDIA HELENA N. J. GOMES, advogada e professora universitária (UFG), é viúva do jornalista Ferreira Júnior
1 comentários:
Tive o privilégio de trabalhar com o Ferreira por muitos anos, no DM. Amigo querido.
Sinceramente, não perco tempo textos da Editoria do Além. Achoq ue Ferreira já foi muito desrespeitado em vida pelo DM e gostaria que o DM deixasse o espírito dele repousar em paz.
A única certeza que tenho é que empresa NENHUMA e CHEFE NENHUM merecem o sacrifício da vida do empregado.
Tenho passado por maus bocados no jornalismo e tenho plena consciência de que tenho que pular fora o mais rápido possível. Não vou deixar que façam comigo o que o DM fez com o ferreira.
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