Segunda-feira, Dezembro 14, 2009

RECADOS DO ALÉM AQUÉM DO CRÍVEL



É de se estranhar, para quem conhece a Doutrina Espírita desde o berço, que suicidas se recuperem e se comuniquem com o mundo dos vivos em tão pouco tempo depois do desencarne.

Até onde eu sei, pelo menos, é que a recuperação de suicidas no plano espiritual é das mais demoradas, sofridas e lentas.

André Luiz, mentor espiritual de ninguém menos que Chico Xavier, levou meio século para "sacar" que estava "morto" e mandar um "oizinho" do além-túmulo. Ele conta isso em Nosso Lar.

Todo esse tempo de "recuperação", segundo ele, deveu-se ao fato de ter-se suicidado, apesar de não ter atentado diretamente contra a própria vida.

É que no mundo espiritual, quem bebe, fuma, se droga, etecetera e tal, consciente de que tais hábitos encurtam a vida terrena, é considerado tão suicida quanto quem enfia uma bala no ouvido, se joga do vão central da ponte Rio-Niteroi ou se atira na linha do trem.

É por isso que sempre olhei com desconfiança para supostas psicografias enviadas por suicidas recém-saídos do mundo terreno. Com mais desconfiança ainda quando elas servem de "notícia" em certas publicações jornalísticas.

Recentemente, porém, a última notícia alardeada nos jornais, vinda diretamente do além-túmulo, foi mais do que uma desconfiança: foi uma piada!

O suposto autor da mensagem, apesar de não ter se matado e de não cultivar hábitos suicidas, era um materialista convicto e certamente concordaria com Chico Anysio quando disse, em entrevista a ISTOÉ: "Não há outra vida. Morreu, acabou".

Acreditar que o jornalista Ferreira Júnior mudou de ideia depois de conhecer o mundo espiritual até nem é o mais difícil. Duro mesmo é acreditar que um textinho vagabundinho, como o que foi publicado, tenha saído de uma mente tão brilhante quanto a do Ferreirinha, um verdadeiro Google ambulante. Tem dó!

Comentar o fato e divulgar a fraude grosseira, como disse a minha querida "cumadi" Lu Brites, é um compromisso que temos com o Ferreira, sua mulher Cláudia, sua filhinha Laura e com verdadeiro Espiritismo. E, principalmente, com médiuns sérios e respeitados em todo o mundo, a exemplo de Francisco Cândido Xavier, que dedicou sua vida ao Espiritismo e a dar esperanças aos aflitos, trazendo notícias e consolo aos encarnados, provando com suas psicografias autênticas a existência da VIDA APÓS A VIDA.

Fala sério! :P


A VERDADEIRA CARTA DO JORNALISTA FERREIRA JÚNIOR

O texto que precede a carta, publicada no jornal Opção desta semana, foi escrito pela mulher do Ferreira Júnior, Cláudia, e mãe da filha dele, Laura, ou seja, alguém que conheceu MUITO bem o nosso saudoso amigo e que, mais do que eu ou você, fica indignada quando o Diário da Manhã publica aquelas ridículas cartas da Editoria do Além Túmulo. Lu Brites


Os que co­nhe­ce­ram o jor­na­lis­ta Fer­rei­ra Jú­ni­or, que tra­ba­lhou no jor­nal “Di­á­rio da Ma­nhã”, fo­ram sur­pre­en­di­dos pe­la edi­ção do dia 7 de de­zem­bro des­te ano, que trou­xe, além de cha­ma­da com fo­to na pri­mei­ra pá­gi­na, o con­te­ú­do de pá­gi­na in­tei­ra com o que se­ria uma men­sa­gem dele, Ferreira. Li e não re­co­nhe­ci meu ma­ri­do. O tex­to cre­di­ta­do ao Jú­ni­or apre­sen­ta­va in­con­gru­ên­cias que pas­so a des­ta­car:

1º — a sa­u­da­ção usa­da “seu Ba­tis­ta” não era co­mo se re­fe­ria a es­ta pes­soa;

2º — no ge­ral, o dis­cur­so é eva­si­vo e po­bre, não ha­ven­do ne­nhu­ma as­ser­ti­va que pos­sa iden­ti­fi­cá-lo com seu pre­ten­so au­tor;

3º — os tre­chos “pu­de vi­si­tar mi­nha fa­mí­lia” e “con­ti­nu­ar exer­cen­do a fun­ção de pai é uma gran­de ale­gria” con­fir­mam a ha­bi­li­da­de da “mé­di­um” no uso de pla­ti­tu­des in­con­tes­tes com o fim de emo­cio­nar os in­cau­tos;

4º — “ad­mi­ra­ção que lhe de­di­co” e “nos­sa gran­de fa­mí­lia” faz lem­brar o tem­po em que os pre­tos eram re­cém-li­ber­tos mas ain­da man­ti­nham o cor­po e a men­te sub­mis­sos, agra­de­ci­dos ao pa­trão pe­la mais va­lia (so­men­te is­to se­ria su­fi­ci­en­te pa­ra qual­quer ami­go do Fer­rei­ra rir às gar­ga­lha­das);

5º — por fim, “do ami­go fi­el e agra­de­ci­do” são tam­bém ex­pres­sões in­ca­bí­veis en­quan­to os sa­lá­ri­os atra­sa­dos e de­pó­si­tos do FGTS, no va­lor apro­xi­ma­do de 80 mil re­ais, não fo­rem pres­ta­dos à vi­ú­va e à ór­fã de 5 anos de ida­de.

A uti­li­za­ção da ima­gem e do “pen­sa­men­to” do jor­na­lis­ta Fer­rei­ra Jú­ni­or, sem o co­nhe­ci­men­to ou anuên­cia de sua fa­mí­lia, não se jus­ti­fi­ca mes­mo que “por uma mo­ti­va­ção pe­da­gó­gi­ca” co­mo foi di­to por Ba­tis­ta Cus­tó­dio. Diz ele que pre­ten­de re­ve­lar a Ver­da­de aos ateus “ma­te­ri­a­lis­tas co­mo o Fer­rei­ra”, atri­buin­do a si gran­de im­por­tân­cia. Com­ple­ta ain­da que “ne­gá-la é uma bur­ri­ce da qual, mais dia, me­nos dia, nos ar­re­pen­de­re­mos”. Nes­te pon­to, bem co­mo em to­do ex­pos­to, fal­tou o de­vi­do res­pei­to aos mor­tos.

Quan­do era vi­vo e po­dia fa­lar por si cer­ta­men­te o Fer­rei­ra não ou­viu o que ho­je pro­nun­cia sem con­tes­ta­ção quem pre­ten­de fa­lar por ele. Fer­rei­ra Jú­ni­or po­le­mi­za­va com le­al­da­de, ou­vin­do com pa­ci­ên­cia e sa­ben­do si­len­ci­ar quan­do o in­ter­lo­cu­tor es­ti­ves­se to­ma­do pe­lo fa­na­tis­mo pró­prio de quem abra­ça uma idéia re­den­to­ra.

Na bus­ca por in­dul­gên­cia, quem per­de uma pes­soa que­ri­da de ma­nei­ra trá­gi­ca co­mo o su­i­cí­dio pro­cu­ra ali­vi­ar sua cul­pa en­tre­gan­do-se a uma mís­ti­ca con­ve­nien­te on­de quem par­tiu fa­la ape­nas o que se quer ou­vir. De mi­nha par­te, pre­fi­ro fi­car com as pa­la­vras di­tas e es­cri­tas en­quan­to era vi­vo e, pa­ra os que sen­tem sa­u­da­des de seu es­ti­lo ini­mi­tá­vel, tran­scre­vo a ver­da­dei­ra car­ta do jor­na­lis­ta Fer­rei­ra Jú­ni­or.

A men­sa­gem é um e-mail pa­ra um ami­go es­cri­to na ho­ra do al­mo­ço, lá em ca­sa, sem ne­nhu­ma pre­ten­são. Ele pe­diu-me pa­ra cor­ri­gir, pois sua ra­pi­dez de ra­ci­o­cí­nio acar­re­ta­va mui­tos er­ros or­to­grá­fi­cos, e eu guar­dei com sua per­mis­são. Du­ran­te a lei­tu­ra é pos­sí­vel iden­ti­fi­cá-lo, até mes­mo “ou­vi-lo”, e is­so fa­rá os que o co­nhe­ce­ram, Deus sa­be, fe­li­zes.

(Tex­to que Fer­rei­ra Jú­ni­or en­viou pa­ra um ami­go)

Mui­to bom o tex­to so­bre Char­les Darwin, ami­go. O de­ta­lhe in­te­res­san­te é que a “des­co­ber­ta” da evo­lu­ção não foi al­go ins­tan­tâ­neo. Há quem di­ga que na épo­ca de Da Vin­ci a pos­si­bi­li­da­de de uma cri­a­ção sem a in­ter­ven­ção do di­vi­no já exis­tia, (in­te­lec­tu­al­men­te) mas es­ta­va dis­cu­ti­da em cír­cu­los mui­to se­cre­tos pe­lo ris­co as­so­cia­do. Afi­nal, por mui­to me­nos Gior­da­no Bru­no foi pro chur­ras­co e Ga­li­leu, por ser de um gru­po me­nos ra­di­cal, foi “ape­nas” con­de­na­do a pri­são do­mi­ci­li­ar. O mais in­te­res­san­te é que pa­re­ce que Al­fred Rus­sel Wal­la­ce, que de­sen­vol­veu si­mul­ta­ne­a­men­te as idéi­as so­bre evo­lu­ção (não foi o úni­co, o fran­cês La­marck — se pre­fe­re o no­me to­do, Je­an-Bap­tis­te Pi­er­re An­to­i­ne de Mo­net, Che­va­li­er de La­marck) tam­bém de­sen­vol­veu uma te­o­ria so­bre evo­lu­ção, com al­guns con­cei­tos ti­dos ho­je co­mo er­rô­ne­os, ain­da que te­nha si­do o cri­a­dor do ter­mo que en­trou pra his­tó­ria: bi­o­lo­gia (é, foi ele!). O Wal­la­ce aca­bou in­cor­po­ran­do to­dos os con­cei­tos darwi­nis­tas e fi­cou co­nhe­ci­do co­mo o bulldog de Darwin pe­la fi­de­li­da­de qua­se ca­ni­na co­mo as­si­mi­lou as idei­as. Foi um bri­lhan­te ora­dor, bem ao con­trá­rio de Darwin que era tí­mi­do e in­tro­ver­ti­do. Do­cu­men­tos mais re­cen­te­men­te ana­li­sa­dos mos­tram que uma das ra­zões era que, as­sim co­mo Darwin, Wal­la­ce ti­nha me­do da pró­pria ideia evo­lu­cio­nis­ta e de su­as con­se­quên­cias. Ele se sen­ti­ria mais à von­ta­de de­fen­den­do a ideia de ou­tra pes­soa, ain­da que fos­se idên­ti­ca à sua. A on­da de no­tí­cias so­bre evo­lu­ção é o re­sul­ta­do de gen­te co­mo Ri­chard Dawkins (ti­do co­mo o mais mo­der­no re­pre­sen­tan­te do neodarwi­nis­mo e um dos pi­la­res da so­cio­bio­lo­gia) que ten­ta ex­pli­car uma par­te do com­por­ta­men­to hu­ma­no com ba­se na ação dos ge­nes. Já fui cé­ti­co com re­la­ção ao te­ma, mas ho­je, a ca­da dia, me con­si­de­ro um dis­cí­pu­lo ca­da vez mais cren­te. Cláu­dia de­bo­cha e cha­ma a mi­nha vi­são ide­o­ló­gi­co-ci­en­tí­fi­ca de “re­li­gi­ão” (pro­vo­ca­do­ra...). Mas, e o nos­so ve­lho di­nos­sau­ro pre­fe­ri­do, o Ti­ra­nos­sau­ros Ba­tis­ti­en­ses Rex? Vo­cê viu na edi­ção de ho­je a fo­to do cor­po da cri­an­ça ata­ca­da pe­los cã­es? Hou­ve, co­mo se­ria de se es­pe­rar, uma chu­va bru­tal de e-mails e te­le­fo­ne­mas. Ele de­ci­diu is­to de sá­ba­do pa­ra do­min­go e pa­re­ce que per­gun­tou so­men­te a pes­so­as que po­de­ri­am apoiá-lo. Eu vi as fo­tos no dia em que fo­ram ti­ra­das. Co­mo já acom­pa­nhei ope­ra­ções, exu­ma­ções, au­tóp­sias e te­nho uma vi­são for­te­men­te re­du­cio­nis­ta dos hu­ma­nos (so­mos, is­to sim, o gran­de jo­go de ar­mar que com al­guns itens nos lo­ca­is cer­tos pas­sa­mos a par­ti­lhar sen­ti­men­tos que evo­lu­ti­va­men­te aju­da­ram a nos­sa so­bre­vi­vên­cia en­quan­to es­pé­cie, mas so­mos ca­pa­zes de to­das as cru­el­da­des ini­ma­gi­ná­veis) es­tou ca­da vez mais “dawknia­no”. Cla­ro, fi­quei cho­ca­do, e não es­ten­de­ria as ima­gens aos ou­tros, até por­que im­pe­ra aí uma ques­tão de bom gos­to. Os lei­to­res acha­ram o mes­mo e Ba­tis­ti­en­ses Rex, cui­da­do­sa cri­a­tu­ra, tra­tou de pu­bli­car as me­nos vi­ru­len­tas. Leia o ar­ti­go so­bre a cri­an­ça e ve­ja que pri­mor: Não exis­tem cul­pa­dos no mun­do. Cla­ro, mes­mo sen­do uma cri­an­ça ele, o me­ni­no, en­trou em uma pro­pri­e­da­de par­ti­cu­lar, com mu­ros al­tos. Os cã­es es­ta­vam fa­min­tos (é al­go a se pen­sar, o fa­to do do­no mal­tra­tar os cã­es, mas o pes­so­al na Ida­de Mé­dia cos­tu­ma­va au­men­tar a di­ver­são du­ran­te os cer­cos mi­li­ta­res ati­ran­do pri­si­o­nei­ros a cã­es que es­ta­vam sem co­mer ha­via se­ma­nas) e os pa­is de­ve­ri­am vi­gi­ar seus fi­lhos. Pa­ra não fa­lar na fal­ta de es­co­las de tem­po in­te­gral, etc... Bom, sin­ce­ri­da­de? Acho que em um ata­que de sa­u­do­sis­mo dos tem­pos ju­rás­si­cos do jor­na­lis­mo go­i­a­no, Rex achou que pro­vo­ca­ria co­mo­ção com as fo­tos. Re­al­men­te pro­vo­cou, não ne­ces­sa­ria­men­te a que pen­sa­va, mas ele não per­ce­be. Afi­nal, cri­a­tu­ras ju­rás­si­cas têm pro­ble­mas de per­cep­ção em re­la­ção aos ma­mí­fe­ros. En­quan­to os úl­ti­mos sen­tem na car­ni­ça uma ame­a­ça (se um ani­mal mor­reu, ou­tro po­de mor­rer) os rép­te­is (Rex) ve­em nis­to um ban­que­te. Ain­da mais que o pes­so­al do MIT mos­trou, com ela­bo­ra­dos cál­cu­los de bi­o­me­câ­ni­ca, que o bi­cho não po­de­ria cor­rer mais do que 30 km/h sem per­der a es­ta­bi­li­da­de, o que trans­for­mou o ca­ça­dor em “sca­ven­ger” (car­ni­cei­ro). Rex vai ser pro­ces­sa­do, pois os pa­is ain­da de­têm o di­rei­to a ima­gem da cri­an­ça, mes­mo post-mor­tem. De­ve ser tris­te não per­ce­ber que o seu am­bi­en­te mu­dou e não é mais o que era, mas pa­re­ce que deus em sua in­fi­ni­ta bon­da­de, in­dul­gên­cia e sen­so de hu­mor pro­te­ge o ve­lho rép­til al­te­ran­do a sua per­cep­ção do am­bi­en­te. Ale­lu­ia! (Jo­a­quim Di­as Fer­rei­ra Jú­ni­or)

CLÁU­DIA HE­LE­NA N. J. GO­MES, advogada e professora universitária (UFG), é vi­ú­va do jor­na­lis­ta Fer­rei­ra Jú­ni­or


1 comentários:

Zeze disse...

Tive o privilégio de trabalhar com o Ferreira por muitos anos, no DM. Amigo querido.
Sinceramente, não perco tempo textos da Editoria do Além. Achoq ue Ferreira já foi muito desrespeitado em vida pelo DM e gostaria que o DM deixasse o espírito dele repousar em paz.
A única certeza que tenho é que empresa NENHUMA e CHEFE NENHUM merecem o sacrifício da vida do empregado.
Tenho passado por maus bocados no jornalismo e tenho plena consciência de que tenho que pular fora o mais rápido possível. Não vou deixar que façam comigo o que o DM fez com o ferreira.